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terça-feira, 27 de maio de 2014

RELATO N° 14


14º relato.
L. Eu não tenho palavras pra te falar, mas quero que saiba o quento eu te amo e te admiro, te conheço, sei das tuas lutas pessoais e sei a pessoa maravilhosa que és!! Você não está sozinha! 

"O relato é grande, talvez o maior que você já publicou, mas igualmente triste, até hoje não me sinto dona dos meus 5 sentidos.

Eu tinha uns 8 anos e meu pai viajava muito, ficávamos somente eu e minha mãe. Quando eu ganhava uma roupa (tudo que eu tinha era ganhado), ela media pra ver se não ficaria curta. Quando ela achava que a roupa era curta ela colocava a mão por baixo da minha saia, pegava nas minhas partes íntimas, apertava e dizia assim: “o que você acha que os meninos vão querer te vendo desse jeito?”, o mesmo ela fazia com meus seios quando a blusa tinha uma gola um pouquinho mais decotada. (eu era só uma criança!!!) Por causa do comportamento da minha mãe comecei a achar que essas atitudes eram normais dos adultos, mesmo que ninguém mais fizesse isso, apenas ela. Com uns 9 anos eu tinha uma amiguinha e aos finais de semana minha mãe me mandava pra casa dela, às vezes até pra dormir... ela tinha um irmão que na época tinha uns 14 anos, ele era forte e quando os pais deles saíam ele me levava pro quarto, trancava a porta e minha “amiguinha” o ajudava a me fazer ficar quieta. Eles tinham um irmão de uns 7 anos, que num certo dia conseguiu entrar no quarto quando o mais velho estava por cima de mim e adivinhem?? Ele quis fazer o mesmo!!! Sob a “pena” de contar aos nossos pais, se não deixassem que ele fizesse o que queria... eles deixaram e me seguraram!!! e mesmo sob protesto incessante minha mãe me mandava pra lá todos os finais de semana, não importava o quanto eu chorasse, implorasse a ela pra não ir, eu tinha que ir... e todas as vezes a história se repetia e eu ficava o resto da semana enclausurada em casa sem querer falar com ninguém. Eu só tinha 10 anos e ainda me lembro de me abraçar a uma árvore com todas as minhas forças pra não ser arrastada pra dentro da casa deles!!
Quando eu tinha uns 12 anos eu comecei passar os finais de semana na casa da minha irmã, bem mais velha que eu, já casada e com filhos. Um belo dia eles beberam muito, eu fiquei responsável pelas crianças e logo minha irmã dormiu, desmaiada por causa da bebida. Meu cunhado não dormiu, esperou que as crianças dormissem e veio atrás de mim, veio tirando minha roupa, me prensando na parede, enfiando a mão por dentro da minha blusa, da minha calça e ele era muito mais forte que eu, me segurou forte, me disse pra ficar quieta, que se eu contasse pra alguém ninguém iria acreditar. Mas pra quem eu iria contar??? Minha mãe achava que isso era normal (talvez ela tenha sido abusada também), minha irmã não acreditaria em mim, eu não tinha pra quem contar, não tinha pra quem pedir socorro, não tinha nem pra onde fugir da realidade que me martirizava.
O tempo passou e arrumei um namorado, ele era bem paciente, eu sempre relutava, sempre me esquivava, mas um dia ele não aguentou mais esperar e veio pra cima da forma que quis. Assim que ele dormiu fui embora pra casa, escondida dele, e tomei uma cartela de tranquilizantes. Até hoje não sei como cheguei sozinha ao hospital, pedindo socorro... eu não queria morrer, só queria ficar livre... só isso!!! A culpa nunca foi minha, mas eu nunca tinha entendido isso... até hoje!!!

Se quiser completar... hoje eu peso mais de 90kg e parece que quanto mais gorda eu ficar mais conseguirei me esconder por trás de mim mesma, pra que nunca ninguém fique sabendo da tristeza que carrego comigo."

L.C.

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