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quarta-feira, 28 de maio de 2014

RELATO N° 31

31° relato.

G. muito amor pra ti!! 

" Oi Laura, também gostaria de compartilhar a violência que sofri. Às vezes me pergunto, se existe alguma mulher não violentada sexualmente, infelizmente cada vez vejo que é muito comum, mesmo quando não há o estupro em si, há violência, assédio. Acredito que o meu caso vai ser o mais leve de todos que você compartilhou, mas decidi contar ainda assim, pra servir como alerta para os pais. Vamos lá.
Eu me lembro de quando era criança, 6 ou 7 anos e estava brincando de médico com uma prima da mesma idade, no quarto com a porta aberta, na maior inocência das duas partes, com os brinquedos de médicos examinamos cabeça, testa, braços e por fim, a vagina. Mas era apenas mais uma parte do nosso corpo, como qualquer outra e nessa hora minha mãe entrou no quarto e claro em pânico começou a brigar conosco dizendo que não devíamos fazer isso, que não podíamos tocar ali, que era sujo, feio, me lembro até hoje do olhar da minha mãe...
Passou...
Algum tempo depois, eu comecei a me tocar, não sei se influência da TV aberta sempre tão livre lá em casa, ou se foi simplesmente por curiosidade de me conhecer e perceber com isso que era bom tocar no clitóris.
Até que um dia minha mãe viu, e de novo me repreendeu, dizendo que era feio, sujo, que “Deus não gosta”.
Mas ali eu já estava gostando e não parei, um dia uma prima mais velha entrou no meu quarto sem bater e também viu, ela fez o mesmo, falou o quanto era feio e sujo... Isso foi ficando na minha cabeça, como eu era suja, feia.
Um dia eu e uma outra prima da mesma idade fomos da minha casa até a dela sozinhas, não era tão perto assim, mas sabe como é cidade pequena do interior onde nada acontece #sóquenão...
No meio do caminho, numa esquina havia o estacionamento de um clube, o muro era alto mas não tinha portão, portanto ficava sempre aberto, passando por ali um homem numa bicicleta pediu ajuda pra mudar a marcha, disse que não estava conseguindo. Entramos no estacionamento e eu sentei no banco pra mudar a marcha, percebi um movimento de vai e vem atrás de mim, fiquei apavorada, disse que não conseguia e desci, ele ainda perguntou pra minha prima se ela queria tentar e ela disse que não, saímos rápido dali e me lembro dela dizendo o quanto ficou nervosa e estava suando por mim. Prometemos nunca contar a ninguém, afinal era muito feio... E não contamos.
Me lembro também que eu dormia direto com um tio meu, solteiro, na mesma cama e que depois disso fiquei com muito medo, não só dele, mas do meu pai, padrinho e qualquer outro homem que se aproximasse. Meu tio foi um anjo, mas poderia não ser, acho irresponsabilidade demais, pais que deixam seus filhos dormirem com qualquer pessoa que seja uma noite inteirinha. Aos poucos isso foi passando e eu acabei esquecendo esse episódio. Mas enfim, o que quero dizer com esse relato é que, crianças se tocam e é natural, não é feio, não é sujo nem pecado. Eu cresci acreditando que era suja, que era feia e que ia pro inferno, passei a adolescência lutando contra algo natural só por medo de ir pro inferno, de Deus castigar. Por favor não faça isso com seus filhos, dessa forma a criança não vai te contar quando acontecer algo do tipo, ela vai se sentir suja, vai ficar com medo que você brigue. Eu contei essa história esse ano pra minha mãe (22 anos) e ela ficou chocada, tenho uma filha de 2 anos, já vi ela se tocando algumas vezes, claro que ainda não é masturbação, é apenas uma criança conhecendo seu corpo, é dela, ela tem todo direito de conhecer a vagina como conhece o braço. Sempre que vejo isso, saio de perto, vou fazer outra coisa e deixo-a ali, não é nada de mais, nada de anormal. Acho que o que devemos ensinar aos nossos filhos é que eles podem se tocar, só não podem deixar que outros o toquem, mas claro, isso ainda não é pra uma criança de 2 anos, mas já me preparo pra isso quero que ela saiba em quem confiar, pra quem contar e principalmente, quero que ela seja livre, dona do corpo dela!"
G.L.

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