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quarta-feira, 28 de maio de 2014

RELATO N° 30

30° relato.

Esse é o primeiro relato que a vítima pede que eu marque ela e divulgue seu nome. Segundo ela mesma: Hora de trazer luz as sombras. Kátia você é uma guerreira.

" Eu tenho um nome, eu tenho um rosto, eu tenho uma identidade. 
Eu tenho 46 anos, e um pouco antes de completar 29 anos, eu fui estuprada!
Trabalhava num hotel super conceituado em São Paulo como massagista e era também responsável por toda a área de fitness, saunas e tratamentos estéticos. O meu agressor era um hóspede VIP, poderoso no mundo dos negócios, rico e bem nascido... e eu não estava na rua, me exibindo, me colocando em risco... não: eu estava trabalhando!!!
Este animal achou que poderia dispor do meu corpo como quem dispunha da garrafa de whisky que ele secou um pouco antes de me violentar!!! Este animal encontrou guarita no sistema que protege qualquer criminoso que tenha $$ para pagar pelo silêncio e descaso.
Era noite e já estava na hora de fechar, porém meu gerente me pediu para que eu atendesse mais este hóspede pois ele era um figurão e cliente especial do hotel e que se eu fizesse "este favor", poderia chegar mais tarde no dia seguinte. Mesmo contrariada eu aceitei, ignorando a minha intuição que me pedia para ir embora!
Eu o atendi, sozinha pois já havia terminado o expediente, mas segundo o gerente, ele só queria relaxar um pouco antes de ir embora. Ele desceu com uma garrafa já pela metade de whisky, bebendo e pedindo para o home service baldes de gelo... perguntou se eu era a massagista o que eu afirmei, e claro, pediu uma sessão de massagem. Durante a sessão nada de mais, ele não aparentava nenhum sinal de excitação e eu cada vez mais nervosa, querendo fugir dali!
Acabada a sessão de massagem eu avisei que ele poderia se vestir, quando me virei para sair da cabine, ele me agarrou!
Sou uma mulher grande e forte, mas ser pega de surpresa daquele jeito não me deu condições de reação.
Ele me jogou no chão, me batendo e chutando dizendo que havia entendido o que eu estava querendo! Subiu em cima de mim e começou a bater com a minha cabeça no chão, com tanta força que eu já não sentia mais nada!! Ele apertava minha garganta dizendo que ia me matar e só aí eu realmente entendi o perigo que estava correndo! Minha cabeça começou a me dizer que se eu não fizesse alguma coisa para me livrar daquele monstro, ele realmente me mataria... eu não sei por quanto tempo eu apanhei, nem como ele havia conseguido tirar as minhas calças, não tinha nem a noção de que o sangue no chão era meu!!! Com uma força que eu não sei de onde tirei, numa manobra de corpo eu o acertei com uma joelhada bem forte, que o fez perder a força demoníaca com que me segurava. Com mais uma joelhada eu consegui me livrar dele e correr, seminua, machucada pelo saguão do hotel pedindo socorro!
Depois disso tudo embota: a delegacia, os advogados dele - 6 na verdade!- me acusando de ser uma prostituta que na hora H havia desistido do programa, o exame humilhante de corpo de delito, o hotel me dizendo que não ficaria do meu lado, pois ele era quem pagava! Não sei o que mais me machucou: o estupro ou ser tratada como um lixo por aqueles que em tese, deveriam me defender... e os olhares, tão acusadores e cruéis!
Resolvi contar abertamente pois lendo tantos relatos e chorando a dor de cada um deles, eu entendi que falar faz parte da cura!
Estou com uma amiga hospitalizada por conta de um estupro brutal e isso mexeu muito, muito mesmo comigo... e cada uma das histórias aqui contadas é como uma facada em mim. Eu sei a dor que sentem, amigas... eu sei!

Grata pela confiança, grata por me ouvirem.
Laura, minha linda: Nunca te vi e sempre te amei!"

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