33° relato.
M. você não tem culpa de nada. Que você encontre amor e fé na sua vida.
" Quando eu era pequena, por volta dos meus 10 anos, não sei ao certo, porque não tenho lembranças nítidas, uma pessoa muito próxima da minha família, que frequentava a casa, começou a fazer insinuações acerca de eu estar a crescer e a ficar com um corpo de mulhersinha. Conforme o tempo foi passando, das palavras passou a tocar-me de um modo que nenhuma criança nunca deveria ser tocada. “É o nosso segredo” – dizia-me ele. “Não podes contar a ninguém nunca porque ninguém vai acreditar em ti.” Acho que esta frase me ficou tão tão cravada que eu nunca realmente tive a coragem de contar a ninguém tal é vergonha e o nojo que eu sentia e sinto e o medo de efectivamente ninguém acreditar. Nunca houve sexo com penetração, mas a situação prolongou-se durante uns bons anos. Ele aproveitava sempre que me apanhava sozinha, e me tocava, me beijava e outras coisas que prefiro nem lembrar. Ele dava-me prendas e dinheiro como modo de me compensar. Ninguém nunca achou estranho, dado que os netos dele estavam longe e como era tão amigo da família era um modo de nos ajudar. Depois de ele morrer eu senti-me aliviada.
Durante muitos anos eu fiz por esquecer isto. Substituir experiências. Imaginar que foi tudo um pesadelo. Até hoje me culpo, se calhar havia algo que eu podia ter feito para evitar. Pensei sempre se ele fazia aquilo a mais alguém… Sinto nojo… muito nojo, como na altura sentia. Eu aprendi naquela altura a separar mente e corpo. Hoje tenho uma filha e terror que ela possa se deparar com um monstro destes.... luto agora para voltar a ter um relacionamento saudável e exorcizar estes fantasmas!"
M. - Portugal

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